Medley conquista a melhor participação no mercado de genéricos

Gazeta Mercantil - 10/Mai/2006

De vez em quando, há rumores no mercado de que a brasileira Medley Indústria Farmacêutica, sexta maior do setor e líder no País em vendas de genéricos, é alvo de aquisição. Todos os boatos, contudo, são negados com veemência pelo presidente da Medley, Jairo Yamamoto, que disse a este jornal que os rumores devem ser fruto da concorrência, "incomodada com o crescimento sustentado do laboratório". "Estamos crescendo consecutivamente nos últimos cincos anos. Em março, inclusive, alcançamos o maior market share em faturamento na categoria de genéricos dos últimos quatro anos. Qual o acionista (no caso, a família Negrão, dona da companhia) iria querer vender uma empresa com este desempenho?" Yamamoto assegura que a farmacêutica sequer recebeu alguma proposta. "Não estamos interessados nem em escutar. Não estamos a venda."

O executivo informou, baseado em dados do IMS Health, que ampliou a liderança no mercado de genéricos em março deste ano, quando as vendas alcançaram US$ 27,08 milhões, ficando o laboratório com 31,79% de participação no segmento, que movimentou US$ 85,19 milhões. Para efeitos de comparação, disse Yamamoto, o resultado no mês foi o dobro do obtido pela empresa em abril de 2005, quando deteve 26,64% das receitas da categoria, com vendas de US$ 13,57 milhões.

"O crescimento está alicerçado em investimentos na área de genéricos e de produtos com marca." Um dos exemplos nesta última área, segundo ele, é Vivanza, medicamento para disfunção erétil lançado em outubro de 2005, cujas vendas subiram de US$ 213 mil em janeiro para US$ 786 mil em março. Ainda na categoria de genéricos a empresa investiu recentemente R$ 1 milhão para reformular as embalagens de 21 medicamentos livres de prescrição médica, vendidos em 40 apresentações. Esses remédios respondem por 11% das vendas do laboratório. No total, a Medley prevê lançar este ano 25 produtos.

Em volumes de genéricos, a empresa também recuperou em março a liderança perdida em 2005 para o Grupo EMS Sigma-Pharma, disse. No período, do total de 16,42 milhões de unidades (caixas) de genéricos vendidos no País, 5,14 milhões levaram a marca da empresa ante 4,94 milhões do grupo EMS. No acumulado dos últimos 12 meses até março, quando foram vendidas 165,05 milhões de caixas, entretanto, prevalece a EMS no topo do ranking, com 29,5% do total em relação aos 27,6% da Medley. Yamamoto acredita que o laboratório está sempre na mira dos rumores pelo seus bons resultados, mas disse que isso provoca problemas, como insegurança nos funcionários. "Todo mundo sabe que após um processo de fusão ou venda pode haver corte de pessoal." A boataria fez até a empresa adiar, "pelo menos pelo próximo ano", estudos, iniciados em 2005, para abrir capital na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).